quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Juvenatrix 162

Está circulando a nova edição do fanzine de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti. A publicação, que é distribuída gratuitamente em formato digital, tem 13 páginas e traz contos de Douglas S. Mesquita e Rita Maria Felix da Silva, uma história em quadrinhos de Angelo Junior – artista que sempre foi muito presente nos fanzines e estava ausente há tempos – e um artigo sobre o filme O castelo assombrado (1963), de Roger Corman. Também traz notícias e divulgações de fanzines, publicações alternativas e bandas de rock extremo. A ilustração da capa é de Maurício Tadeu. Para obter uma cópia, basta solicitar ao editor pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

Megalon 49

Está novamente disponível, agora no formato digital, a edição 49 do saudoso fanzine de ficção científica e horror Megalon, publicado originalmente em junho de 1998 por Marcello Simão Branco.
E esta é uma edição de significado histórico particular. A começar pelos ótimos contos publicados, assinados por Roberto de Sousa Causo, Adriana Simon e José dos Santos Fernandes, especialmente este último, uma peça de rara qualidade que está entre os melhores textos já escritos na fc&f brasileira. E como se não bastasse, um interessante e produtivo debate, ainda hoje relevante, entre Lucio Manfredi e Ivan Carlos Regina, repercutindo uma discussão maior que envolveu boa parte do fandom na época, sobre as propostas e perspectivas do "Manifesto Supernova", também conhecido como Movimento Antropofágico da Ficção Científica Brasileira. Tão relevante que o assunto está na pauta de uma palestra que o escritor americano radicado no Brasil, Kristopher Kastensmidt, fará sobre o indianismo na fantasia brasileira, a ser proferida na Loncon 3, a 72ª World Science Fiction Convention.
Mas não é só. Também há artigos sobre a IV HorrorCon, H. P. Lovecraft, ficção alternativa, resenhas, notícias e divulgação de eventos e publicações da época. A capa traz uma ilustração de Cerito, inspirada no conto de Fernandes comentado acima.
Megalon 49 pode ser baixado gratuitamente aqui, assim como um arquivo bônus disponibilizado pelo editor, com documentos de época sobre o projeto Intempol, mundo compartilhado criado por Octávio Aragão que atraiu muitos seguidores.

domingo, 24 de agosto de 2014

Oficina de fanzines em setembro


Anna, a zumbi

Anna, a zumbi, de Isabela Antonelli da Silva, mostra que nem mesmo um morto-vivo está livre de ser assombrado.
Publicada pelo projeto Fanzines de São Bernardo do Campo, a edição está disponível gratuitamente em versão digital. Para ler, basta clicar na imagem da capa.

Os defensores de Ryosan

Os defensores de Ryosan, de Felipe Rossignoli do Carmo, é inspirado nos mangás de luta.
Publicada pelo projeto Fanzines de São Bernardo do Campo, a edição está disponível gratuitamente em versão digital. Para ler, basta clicar na imagem da capa.

Legião de anjos

Legião de anjos, de Carlos Alberto Conceição dos Santos, apresenta uma história de oito páginas, sem balões, sobre a eterna luta entre o bem e o mal.
Publicada pelo projeto Fanzines de São Bernardo do Campo, a edição está disponível gratuitamente em versão digital. Para ler, basta clicar na imagem da capa.

Bem-vindos ao Fanzinarium!

Os fanzines ainda são uma novidade para muita gente.
Durante um longo período, as pessoas achavam que fanzine era um programa de televisão, devido a uma produção de grande sucesso na TV Cultura nos anos 1980, que popularizou o termo. Contudo, os fanzines antecedem muito a esse programa.
A palavra 'fanzine' é contração do termo em inglês fanatic magazine, em português, revista de fãs, publicações independentes, geralmente mimeografadas, que davam vazão ao interesse de vários segmentos de fãs. Os primeiros fanzines surgiram nos EUA, sendo o primeiro deles chamado The Comet, voltado à literatura de ficção científica, ambiente pródigo nesse tipo de publicação. Muitos escritores importantes, como Ray Bradbury, por exemplo, foram editores de fanzines no início de suas carreiras.
Os fanzines chegaram ao Brasil nos anos 1960, na forma de boletins de fã-clubes. Sua disseminação ampliou no final dos anos 1970, com o movimento punk, que tinha na produção independente um de seus fundamentos filosóficos.
Com a disponibilidade da tecnologia reprográfica, os fanzines ganharam dinamismo e multiplicaram-se, com um crescimento explosivo nos anos 1980, principalmente no campo dos quadrinhos, arte que estava mergulhada numa profunda crise comercial, ainda hoje sentida. Artistas sem espaço para publicar profissionalmente, lançaram mão dos fanzines para continuar produzindo ou para iniciar-se na carreira. Centenas de personagens e artistas nasceram e cresceram nos fanzines brasileiros, que eram distribuídos pelo correio ou vendidos de mão em mão, numa verdadeira rede-social analógica.
Com a chegada da internet, os fanzines adaptaram-se. Alguns tornaram-se saites, outros, blogues, outros ainda, ebooks. Uns poucos, que insistiram em seguir no formato real, estão hoje recuperando leitores e prestígio, pois as tecnologias atualmente disponíveis permitem a publicação de fanzines de ótima qualidade gráfica, compatíveis com as publicações comerciais, vendidas em bancas e livrarias.
Mas o que torna os fanzines realmente interessantes é o fato deles permitirem que qualquer pessoa possa criar e sustentar uma mídia para veicular suas ideias, que podem ser divulgadas dentro de pequenas comunidades com um custo acessível, e o exercício desse diálogo ajuda a construir identidade, cultura e consciência, tanto dos leitores quanto dos próprios editores.
Apoiado nesses princípios é que, em 2013, submeti ao edital do Vai-Valorização de Iniciativas Culturais, do município de São Bernardo do Campo, o projeto Fanzines de São Bernardo, voltado ao fomento da produção de fanzines na cidade, especialmente de histórias em quadrinhos, através de uma série de oficinas espalhadas nos espaços públicos. O projeto foi aprovado e os trabalhos iniciaram em 2014, com uma oficina na Gibiteca Municipal Eugênio Colonnese, na qual foram produzidos os primeiros fanzines do programa.
O Fanzinarium vai mostrar o trabalho deste projeto, acompanhando os resultados das oficinas, mas não apenas isso. Também vai disponibilizar gratuitamente todos os fanzines produzidos, e manter o leitor informado sobre os lançamentos de outros fanzines.
Seja bem vindo a aventura.